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O soldadinho e a bailarinaTeatro Procópio Ferreira

Inspirado em conto de Andersen, 'O soldadinho e a bailarina' é o terceiro infantil da atriz

RESENHA

Luana Piovani escolheu um clássico da literatura infanto-juvenil como ponto de partida para seu primeiro musical. 'O soldadinho e a bailarina', livre adaptação do conto 'O soldadinho de chumbo', do dinamarquês Hans Christian Andersen, é a terceira incursão da atriz pela dramaturgia infantil e marca também sua primeira parceria com o diretor Gabriel Villela. Com texto de Sergio Módena e Gustavo Wabner, o espetáculo tem estréia prevista para primeira semana de outubro, no Teatro Procópio Ferreira.

Depois de protagonizar 'Alice no país das maravilhas' e 'O pequeno príncipe', Luana envereda novamente pelo gênero com um trabalho que fala sobre as diferenças: "Cada vez que monto uma peça para crianças quero abordar um determinado assunto. Além da bela história, me encantou poder falar de inclusão, preconceito e respeito às diferenças", explica Luana referindo-se ao fato de o soldadinho não ter uma perna. "Ele pode ser herói, amar e ser amado como qualquer outro", observa Luana, que para ter a liberdade necessária para escolher e montar seus espetáculos criou a produtora que leva seu nome. Para esta empreitada, dividiu a tarefa com a Primeira Página Produções, de Maria Siman.

Para encarnar a bailarina Sofia, Luana começou a estudar balé clássico e a ter aulas de canto. "Quando convidei o Gabriel para a direção, ele disse que toparia dirigir um musical. E quando os mestres falam a gente só pode dizer 'amém'", brinca a atriz, que aceitou o desafio de cantar no palco pela primeira vez. Para a preparação das vozes, Luana e os 12 atores do elenco contaram com a direção vocal da experiente Babaya, parceira de longa data de Gabriel Villela, e ainda com a regência e preparação de coro de Ernani Maletta, que também assina os arranjos vocais. O elenco interpreta as canções da trilha original de Vitor Pozas (música) e Sergio Módena (letra) acompanhados por três músicos e por instrumentos de percussão tocados pelo próprio elenco.

Na história, Sofia é uma bailarina de papel que divide o quarto do menino Euclides com o ursinho Prestimoso, a Marionete, a Harpa, o pintor de pano Edegás e o temível Boneco de molas, que chantageia Sofia, ameaçando os outros brinquedos caso ela não aceite sua proposta de casamento. Tudo muda com a chegada do soldadinho de chumbo Perneta, que vem com sua tropa e conquista o coração da bailarina, com quem planeja fugir. "Gosto muito de fazer teatro para crianças. É desafiador porque é um público exigente, que demonstra claramente se gosta ou não. E é fundamental estimular a criatividade e a imaginação da criançada com espetáculos que possam contribuir de alguma maneira na formação de cidadãos melhores e mais amorosos", acredita Luana.

O cerne do conto original foi mantido na adaptação, assim como o final foi preservado. Mas há espaço para a exploração de um viés que Gabriel chama de 'lado b' da história: o soldadinho cai no esgoto com seu barquinho de papel e lá ele conhece bichos como baratas, ratos e lacraias. "Mas os bichos não são realistas, não tem forma definida. São feitos de plástico-bolha e outros materiais que sugerem mas não explicitam", detalha o diretor, que também assina o figurino e a concepção dos cenários.

Gabriel traz para a história nórdica as raízes culturais da arte popular brasileira, que marcam fortemente sua trajetória. Para achar o tom que queria para as músicas, pesquisou com Luana canções e ritmos interioranos como o projeto das crianças de Araçuaí, em Minas Gerais. Já para os figurinos, Villela trouxe peças que costuma garimpar pelo mundo, como as roupas de linho das festas folclóricas da Hungria. "Quis utilizar a indumentária da commedia dell'arte. São tecidos claros que remetem à poeira da estrada, ao teatro itinerante", explica. "Aqui elas foram retrabalhadas artesanalmente, acrescentamos pedrarias e bordados à mão".

Assim como no figurino, Gabriel evita também na direção um caminho literal: "É um espetáculo com estrutura cenográfica grande, em termos de cena, mas nada define o local. Queremos induzir o espectador a imaginar sua própria bailarina. A idéia é transformar a cena em um universo onírico de reciprocidade entre o ator e o público, estimulando essa triangulação", conclui o diretor.

FICHA TÉCNICA

Da obra de Hans Christian Andersen
Livre adaptação: Sérgio Módena e Gustavo Wabner
Direção: Gabriel Villela
Elenco: Luana Piovani, Pablo Áscoli, Maurício Souza Lima, Janaína Azevedo, Germana Guilhermme, Marcello Boffat, Daniel Maia, Ando Camargo, Letícia Medella, Erika Riba, Jaderson Fialho, Carolina Henriques, Gabriel Mesquita.
Música: Victor Pozas / Letras: Sergio Módena
Direção musical: Victor Pozas e Ernani Maletta
Direção vocal: Babaya
Coreografia: Kika Freire
Cenários e figurinos: Gabriel Villela
Iluminação: Domingos Quintiliano
Orquestrações e regência: Pedro Milman
Gerência do projeto e produção executiva: Paula Salles
Direção de produção: Maria Siman
Realização: Luana Piovani Produções e Primeira Página Produções
Patrocínio: Guaraná Antarctica Caçulinha, Biscoitos Passatempo Nestlé, Johnson's Baby, Oi Itaú e Gol Linhas Aéreas.

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